segunda-feira
estação
Não há trânsito, e uma mulher encontra-se no passeio. Leva um cigarro à boca. Enquanto o acende, o telemóvel vibra. Expulsa uma pequena nuvem e atende. Aproxima-se a hora limite, afirma, retribuindo palavras ao interlocutor. A mulher, após esse desabafo, fica em silêncio; escuta afincadamente a voz que sai do aparelho. Continua a fumar. Contrapõe, explicando que mesmo que ainda esteja a tempo de correr até à estação, pode ter-se enganado a consultar o horário, já muito antigo. O comboio poderia ter partido de antemão, se é que realmente ainda existe comboio. Novo silêncio. A mulher, irritada, contesta a voz, que mesmo detida na estação a observar tudo o que chega e parte nunca pode saber se o comboio já lá não está, porque não sabe qual é o comboio procurado pela mulher. Então, de que vale correr ou ficar no passeio, se mesmo chegando a tempo à estação não existe comboio? Desliga o telefone. Atira violentamente o cigarro para o chão. Acende outro cigarro, novamemente. E lançando fumo, agora um pouco mais calma, recorda que tem de apanhar um comboio incerto, enquanto permanece muda, num passeio.
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Como esse comboio pode ter tantos significados, para ti, para mim, para muita gente .
ResponderEliminarNuma das minhas perspectivas, já perdi esse comboio algumas vezes . E, apesar de tudo, ainda não aprendi a lição de cada uma dessas perdas... ela vai entranhando-se aos poucos dentro de mim... não a consigo aprender de outra forma, apenas assim, lentamente .